domingo, 19 de abril de 2009

Fusão

de sentimentos.
Pois é.

Um sobre o outro. E sobre o outro e o outro.
E uma enorme confusão.

As pessoas olham e perguntam o que está errado, qual é o problema.
- Qual é o problema, garota?
- O que está errado, garota?
- Você está viva, garota?
- Garota?

O que dizer? Olho pra todos eles e não consigo entender.
Me desculpem, não posso responder.
Não agora.
Tô tentando entender a confusão dentro de mim.

Mas é claro que algo está errado!
É toda essa porcaria que rola dentro de mim. Rola e se enrola. Enrola e nunca desenrola.
Eles. Os sentimentos.

Mas qual é o sentido do sentir? Pra que que a gente tem que sentir tanta coisa, afinal?

Eu gostaria de ter a opção de controlar esses tais sentimentos, de mudar. Afinal, se nossos pensamentos e opiniões, que são igualmente internos, podem ser mudados por nós mesmos a todo instante, porque não podemos mudar também sentimentos?

Eu queria a opção de não sentir, mas não de uma forma geral. Existem sentimentos bons dos quais eu não abriria mão, mas alguns.

Na verdade gostaria apenas de não sentir nada em relação a mim mesma. Sensações internas, obscuras, tudo isso que eu não entendo e ninguém pode explicar.
Essa porcaria toda de hoje. Agora.

É muito fácil explicar o que você sente por alguém ou algo externo. É fácil descrever essas sensações pra si mesmo e pras outras pessoas.

Mas e quando você sente algo dentro de você que não sabe o que é, nem como é, nem porque é?
Enlouquece!
E sempre que você acha que está quase descobrindo, chegando lá... Aparece outro e se enrola nesse.
E denovo. Fusões e mais fusões internas, verdadeiros terremotos, que você não vê, não entende, mas sente. E como sente!

E as pessoas não enxergam esses tremores, essa confusão. Definitivamente não enxergam.
Mas ainda assim perguntam se eu tenho algum problema, se algo está errado.
Me pergunto... Será que quem está fora não vê, não ouve, não enlouquece, mas sente?

É uma grande pergunta, mas me desculpem, não posso responder. Não agora.
Tô tentando entender a confusão dentro de mim.

Tô tentando não sentir mais nada.
Tô tentando ignorar tudo isso.

E pode levar algum tempo. Muito.

domingo, 5 de abril de 2009

E pra se encontrar,

quando nos perdemos em nós mesmos, qual é o caminho?

Gostaria muito de poder responder, mas não sei.
Porém, algo me diz que esse é um caminho muito fácil de ser seguido quando sabemos onde ele está, e que o difícil mesmo é conseguir reencontrá-lo quando nos perdemos.

Mas afinal, se é um caminho tão fácil de se manter, como a gente se perde com tanta frequencia? Mais uma vez não sei responder. (Aliás, vale a pena dizer que o que vocês mais vão encontrar aqui são perguntas sem respostas, uma série de teorias, tentativas de responder e nenhuma certeza.)

Retomando então, como se perder de algo em que é fácil manter-se?
Eu diria que a dificuldade que temos é a confusão.
Vou explicar. Digamos que, metaforicamente falando, esse "nosso" caminho é uma linha reta (pelo fato de ser fácil). Pra nos mantermos nele, sem se perder, a única coisa que temos que fazer é seguir reto, num caminho simples, afinal, se é de lidarmos com nós mesmos que estamos falando, não pode ser tão complicado.

Mas e se de repente, no meio desse caminho aparece uma curva?
A gente sabe que o nosso lugar, o nosso caminho é aquele onde estamos, mas ao olharmos pra essa curva vemos uma estrada reta extremamente parecida com a nossa, mas notamos que aparentemente, olhando assim de longe, ela tem menos pedras pra desviar, menos obstáculos, mais facilidades... o que você sentiria?

Eu me sentiria confusa, afinal, um caminho tão igual ao que eu estou no momento, poderia dar no mesmo lugar. E ninguém gosta de dificuldades, certo? Quanto menos melhor, então, eu pensaria: "Se der no mesmo lugar, e se for mesmo mais fácil, porque não?".
E você, também?

Pois é, o nome disso é confusão.
E se decidimos dobrar a curva e entrar nesse caminho, imediatamente nos perdemos do outro, ou seja, de nós mesmos. Passamos a enxergarmo-nos de formas diferentes, inversas ao que somos, e na mesma hora notamos que visto de dentro, esse caminho tem coisas muito mais complicadas do que as pedras e obstáculos difíceis, porém suportáveis, que existiam antes.
Enfim, provavelmente, sair dessa confusão toda vai ser no mínimo (e ironicamente) confuso.

Imagine só você estar perdido em quem você não é, tendo apenas você mesmo como pista pra voltar? Estar vivendo em uma espécie de reflexo de onde deveria estar de fato. De um jeito aparentemente parecido, quase idêntico ao que você costumava viver, mas que na verdade é exatamente o contrário.

Acho que é isso que essa bifurcação, essa curva que aparece na nossa 'caminhada' em nós mesmos significa.
E talvez seja inevitável que a gente se engane, se confunda mesmo e entre nesse caminho. Como aprendizado, como forma de nos conhecermos melhor ao voltarmos talvez, enfim, com algum objetivo, mas inevitável e sem excessão à nenhum de nós.

E a resposta à questão inicial, sobre como encontrar esse caminho quando o perdemos, quanto à ela eu não tenho nada concreto pra opinar.
Talvez seja algo pessoal. Talvez cada um de nós se perca em diferentes aspectos. Alguns se enganando, outros enganando os outros sobre si mesmos, alguns tomando decisões erradas, outros se maltratando ou aos outros, enfim, cada um se perdendo em diferentes curvas, e a forma de voltar ao caminho certo, à nossa realidade, seja algo que cada um tenha que descobrir por si só.

E pensando bem, se for mesmo inevitável todos nós passarmos por essa curva contrária ao nosso caminho, pode-se dizer que ela faz parte dele afinal, certo?
Cabe a cada um de nós responder, eu acho.

Só por hoje.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mudanças vs Ser Humano

Bom, antes de mais nada, quero me desculpar pela ausência aqui esses dias. Eu estive doente, e não estava em condições de digitar muito bem.
Não que importe de fato, sinceramente eu não acho que alguém acompanhe aqui, até porque escrevo mais pra mim do que pra qualquer um, mas nunca se sabe, então achei que seria educado da minha parte justificar.

Enfim, eu estive pensando... Sabe quando você escuta os seus avós dizerem: "Aaah, como eu queria que as coisas continuassem como eram no meu tempo, e nada mudasse para o que é hoje! Porque no meu tempo era assim, assim e assado!"?
Pois então, essa é uma boa comparação com o que está na minha mente hoje.

Mudanças.
Mudanças e as pessoas que mudam.
Mudanças e as pessoas que observam as que mudam.
Mudanças e as pessoas que observam as que mudam e não aceitam de forma alguma.

Ainda que seja uma mudança boa. Ou não tão ruim. Ou que de repente nem afete a vida destes últimos direta ou indiretamente. Nada disso importa, a resposta é “Não, eu não aceito. E não discuta”.

Familiar? Não sei pra você, mas pra mim é.
Não, não estou falando dos meus avós. Nem de ninguém especificamente.

Estive pensando sobre a importância que o ato de mudar pode ter na nossa vida. E na diferença que as nossas mudanças podem ter na vida de quem nos cerca e nos ama, ainda que não os afete de fato, em nada.

Quero dizer, responda: Você, quando decide mudar algo na sua vida, algo que só vá afetar a ela, você costuma pensar em como vão SE SENTIR as pessoas que amam você?
Não sei o qual foi a sua resposta, mas eu responderia não.
Pense bem... É uma mudança pra você apenas, não vai mudar nada na vida de ninguém, apenas na sua, logo, como outro alguém poderia se sentir mal, certo?

Não, errado. Ou pelo menos não inteiramente certo.

Como sempre, eu me surpreendi com o ser humano.
Imagine se uma das pessoas que você considera muito importantes, não aceitasse o fato de você fazer uma mudança na sua vida, na sua personalidade, uma tentativa de se "melhorar", por sentir medo de que se você for diferente, o seu amor, sua forma de tratá-la vão mudar também. E por medo apenas, não queira que você tente mudar, não aceite.

Achou estranho? Eu não mais.
Parando pra pensar, e analisando bem cada uma das pessoas que eu mais confio nesse mundo, eu achei mais pessoas que já demonstraram sinais de ter esse medo, do que as que nunca demonstraram nada.
E procurando mais fundo, lembrei de situações em que eu mesma não quis aceitar mudanças na vida de alguém importante pra mim, por medo de perder essa pessoa. E foi mais de uma vez.

Por fim, acho que cheguei à conclusão de que todos nós sentimos esse medo de mudanças em alguém, e temos alguém que sente o mesmo em relação a nós.

Acho que é no mínimo fascinante saber que no meio desse mundo que sabemos ser uma selva, onde ninguém de fato se importa com o próximo, TODOS NÓS temos alguém que nos ama e nos aceita tão exatamente do jeito que somos, a ponto de desenvolver MEDO de nos perder para as mudanças, evolução, novos tempos, personalidade nova, ou qualquer que seja a mudança que queremos pra nós...

Acho isso realmente fantástico.

Fico por aqui.

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