A gente tem essa tendência estranha de não admitir que sentimos os sentimentos mais belos, que tivemos ou queremos ter, as atitudes mais belas, também. Alguém já reparou?
As pessoas constantemente dissertam umas com as outras sobre como há pessoas que são "arrogantes", "invejosos", sobre como algumas pessoas podem ser "egocêntricas", "vaidosas demais", e por aí segue uma lista infindável de outros adjetivos e/ou sentimentos, os quais são, logo após serem mencionados, taxados como coisas ruins e horríveis.
Por outro lado, há também os sentimentos e atitudes pelos quais todos parecem ter uma grande empatia. Sempre vemos as pessoas criando frases e pensamentos à respeitos deles. Do amor, da caridade, da compreensão, da bondade, da paciência, da humildade... A lista aqui também vai longe.
O fato é que isto acontece, e parece uma opinião e atitude bastante sensatas, não é?
É, seria.
Seria se não fosse o fato de as pessoas só falarem. Mas na hora da prática, no dialeto popular "na hora do 'vamos ver'", a coisa se apresenta de modo diferente.
As pessoas acham e dizem por aí que a humildade é essencial, andam umas ao lado das outras pregando idéias sobre a humildade e sobre como o OUTRO deve agir. E então, no segundo seguinte, este que falava começa a contar uma história sobre como estava na fila do mercado e alguém passou na frente dele como se não tivesse visto, e ele já foi imediatamente queixando-se, colocando-se na condição de superior, usando de ironia e sarcasmo para desmerecer a pessoa "infratora" que roubou o seu lugar na fila.
Eu me pergunto: o mais sensato, neste caso e em outros semelhantes que vocês podem imaginar, não seria que ele abordasse a pessoa de forma humilde, como prega, questionando primeiro se esta pessoa o tinha visto, para, então, explicar-lhe, com a ajuda da amiga paciência, que estava naquele lugar antes?
Não seria ESTA a atitude pela qual esta pessoa deveria orgulhar-se e contar por aí, e mostrar aos outros, já que é isto que ela prega?
Também não admitimos que amamos, às vezes. Preferimos fazer o outro pensar que não amamos, que somos indiferentes, por medo de encararmos o amor.
Aliás, aí está outro sentimento da lista dos "abomináveis" que adoramos ter em nosso dia-a-dia: medo. Ao invés de apostarmos na coragem tão bem quista por todos, nós pregamos a coragem e fabricamos o medo.
Fora esses exemplos, se cada um de nos ler o segundo parágrafo novamente, com calma, achará varios outros fatos, provavelmente fatos verídicos que estrelaram nossa própria vida, dos quais fomos os protagonistas.
A questão é: por que agimos de forma tão estúpida?
Não tenho as respostas, mas eu diria que o pai de tudo isso, é o ja citado medo.
Nós temos medo de agirmos corretamente e sermos julgados. Nós também temos medo de admitir que agimos errado, por isso pregamos o certo. Nós também tememos explicitar atos "dignos" que fazemos, por vergonha alheia, por isso, quando conseguimos de fato agir de modo coerente com o que gostamos de idealizar por aí, cometemos o cúmulo da contradição e mudamos a história para parecermos heróis do ego, da arrogância, da ganância, do orgulho...
O medo escorre do nosso cérebro pra fora, pela testa, passa pelos olhos e termina articulado na nossa boca, que por sua vez o envia para os ouvidos de alguém, proliferando assim esse tipo de atitude estúpida.
Viagem.
Uma bad-trip.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Morte. Quase. Quase morte.
Quase morro de tudo.
Sempre.
Devo ter uma espiritualidade muito elevada porque já tive essas experiências de quase morte várias vezes. Já quase morri de vergonha, de desejo, de raiva, de dor, de alegria... Quase morro toda hora.
Tô quase morrendo aqui.
Por isso eu sempre digo, melhor levar a vida mais à sério que a morte. Porque vida, vida mesmo, é algo raro de se achar. Normalmente a gente nem vive, só sobrevive. E mal sobrevive, porque o faz quase morrendo, aliás, mais morrendo do que sobrevivendo.
Aí é que a merda se faz.
No meu caso, já que é sobre isso que estou dissertando, provavelmente as pessoas vivem a minha vida muito mais do que eu a vivo. E as piores pessoas, aquelas que não deveriam se meter.
Mas acho que tudo bem, porque, pra variar, eu sobrevivo. Preciso, né? Inspirar e expirar...
E isso é tudo.
Sigo quase morrendo.
Sempre.
Devo ter uma espiritualidade muito elevada porque já tive essas experiências de quase morte várias vezes. Já quase morri de vergonha, de desejo, de raiva, de dor, de alegria... Quase morro toda hora.
Tô quase morrendo aqui.
Por isso eu sempre digo, melhor levar a vida mais à sério que a morte. Porque vida, vida mesmo, é algo raro de se achar. Normalmente a gente nem vive, só sobrevive. E mal sobrevive, porque o faz quase morrendo, aliás, mais morrendo do que sobrevivendo.
Aí é que a merda se faz.
No meu caso, já que é sobre isso que estou dissertando, provavelmente as pessoas vivem a minha vida muito mais do que eu a vivo. E as piores pessoas, aquelas que não deveriam se meter.
Mas acho que tudo bem, porque, pra variar, eu sobrevivo. Preciso, né? Inspirar e expirar...
E isso é tudo.
Sigo quase morrendo.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Melancolia, de quem és?
Acordei reflexiva hoje. Li. Pensei. Quase cri no que pensei. Quase. E cheguei à algumas [quase] conclusões. Que podem ser total balela.
Lembrei-me de diversas ocasiões em que disseram-me que eu sou alguém com muita criatividade, talento pra escrever ou criar algo.
Concordo em partes.
Não sei criar nada que parta de habilidades artesanais, por exemplo. Sou praticamente um bebê nesse departamento. Tampouco diria que sei escrever ou que sou criativa. Porém, é algo que na verdade me faz bem. Sempre me fez feliz. Escrever, criar notas. Nem que sejam notas mentais.
Sou do tipo que não consegue se expressar de forma curta. Sempre rola um parêntese no meio do raciocínio e ele PRECISA ser exteriorizado, se não eu surto.
Mas de qualquer forma, eu gosto sim.
Então, refletindo à esse respeito, lembrei-me de uma terapeuta com quem eu consultava-me há uns 3 anos atrás, e de algo que ela me disse. Ela falou que pessoas com tendências artísticas, criativas, tem um certo raio de conhecimento diferente das outras pessoas. Um conhecimento próprio bem crítico e quase que depressor quando é voltado para si mesmo.
Que eu me lembre era algo assim.
E por esse motivo, somos pessoas extrovertidas, animadas, e, no meu caso, hiperativas em tudo e com todos, mas com um porém: somos extremamente melancólicos quando sós. Ou mesmo na multidão, imersos nela, mas pensando em nós mesmos. E se não o somos sempre, temos uma tendência à melancolia muito maior do que outras pessoas, pela visão criativa, muito pensante, demais.
Parte do que digo aqui pode ter sido inventado por mim, não lembro exatamente o que ela disse, mas deve estar próximo disso.
O fato é que na época eu concordei, muito feliz, com aquela senhora. Afinal, fazia mesmo muito sentido e, vamos combinar, eu era a paciente.
Mas agora, timidamente amadurecida, penso que devo discordar, parcialmente.
É verdade que existe tal melancolia ou tendência à ela, quando passamos a imaginar coisas, transcrevendo-as ou não, sobre nós mesmos. Mas não acho que ela seja exclusivamente de pessoas com mentes criativas ou artistas. Primeiramente porque me enquadro completamente no quadro das pessoas tendenciosas, mas não acho e não convenço-me também, que possa ser criativa.
Auto-crítica. Esse sim, é o meu talento. Acho até que posso tornar-me extremamente criativa quando se trata de criticar à mim mesma.
A conclusão quase certa da qual falei no início, é a de que isso existe, mas para todos nós. Mesmo.
Tímidos, intro, intelectuais, ignorantes, felizes, tristes, recatados, piranhas, cafetões, doutores, príncipes e princesas.
Todos.
O ser humano é mesmo desse jeito. Se volta à melancolia, seja por crítica ou não. Aliás, nunca mesmo, por ela. Mas por necessidade.
Ela se faz necessária, ao meu ver, porque sem ela estaríamos, uhm... realizados? (Não são termos antônimos, mas no contexto se tornam algo parecido com isso). E o ser humano nunca vai estar realizado por inteiro.
Ele tem sede. Ele quer mais. Sempre. De modo que a melancolia é um empurrão, nossa garra.
Particularmente, acho que a diferença é que as pessoas muito críticas e com baixa auto-estima, tendem a melancolizarem MAIS as situações. Mas isso é só pra disfarçar a grande ambição e ganância que essas pessoas fingem não possuirem.
Até me incluo nisso, talvez.
Mas não acho que tenha ver com a capacidade da pessoa de fazer ou não algo, pensar ou não em algo.
Hoje, preciso discordar.
Lembrei-me de diversas ocasiões em que disseram-me que eu sou alguém com muita criatividade, talento pra escrever ou criar algo.
Concordo em partes.
Não sei criar nada que parta de habilidades artesanais, por exemplo. Sou praticamente um bebê nesse departamento. Tampouco diria que sei escrever ou que sou criativa. Porém, é algo que na verdade me faz bem. Sempre me fez feliz. Escrever, criar notas. Nem que sejam notas mentais.
Sou do tipo que não consegue se expressar de forma curta. Sempre rola um parêntese no meio do raciocínio e ele PRECISA ser exteriorizado, se não eu surto.
Mas de qualquer forma, eu gosto sim.
Então, refletindo à esse respeito, lembrei-me de uma terapeuta com quem eu consultava-me há uns 3 anos atrás, e de algo que ela me disse. Ela falou que pessoas com tendências artísticas, criativas, tem um certo raio de conhecimento diferente das outras pessoas. Um conhecimento próprio bem crítico e quase que depressor quando é voltado para si mesmo.
Que eu me lembre era algo assim.
E por esse motivo, somos pessoas extrovertidas, animadas, e, no meu caso, hiperativas em tudo e com todos, mas com um porém: somos extremamente melancólicos quando sós. Ou mesmo na multidão, imersos nela, mas pensando em nós mesmos. E se não o somos sempre, temos uma tendência à melancolia muito maior do que outras pessoas, pela visão criativa, muito pensante, demais.
Parte do que digo aqui pode ter sido inventado por mim, não lembro exatamente o que ela disse, mas deve estar próximo disso.
O fato é que na época eu concordei, muito feliz, com aquela senhora. Afinal, fazia mesmo muito sentido e, vamos combinar, eu era a paciente.
Mas agora, timidamente amadurecida, penso que devo discordar, parcialmente.
É verdade que existe tal melancolia ou tendência à ela, quando passamos a imaginar coisas, transcrevendo-as ou não, sobre nós mesmos. Mas não acho que ela seja exclusivamente de pessoas com mentes criativas ou artistas. Primeiramente porque me enquadro completamente no quadro das pessoas tendenciosas, mas não acho e não convenço-me também, que possa ser criativa.
Auto-crítica. Esse sim, é o meu talento. Acho até que posso tornar-me extremamente criativa quando se trata de criticar à mim mesma.
A conclusão quase certa da qual falei no início, é a de que isso existe, mas para todos nós. Mesmo.
Tímidos, intro, intelectuais, ignorantes, felizes, tristes, recatados, piranhas, cafetões, doutores, príncipes e princesas.
Todos.
O ser humano é mesmo desse jeito. Se volta à melancolia, seja por crítica ou não. Aliás, nunca mesmo, por ela. Mas por necessidade.
Ela se faz necessária, ao meu ver, porque sem ela estaríamos, uhm... realizados? (Não são termos antônimos, mas no contexto se tornam algo parecido com isso). E o ser humano nunca vai estar realizado por inteiro.
Ele tem sede. Ele quer mais. Sempre. De modo que a melancolia é um empurrão, nossa garra.
Particularmente, acho que a diferença é que as pessoas muito críticas e com baixa auto-estima, tendem a melancolizarem MAIS as situações. Mas isso é só pra disfarçar a grande ambição e ganância que essas pessoas fingem não possuirem.
Até me incluo nisso, talvez.
Mas não acho que tenha ver com a capacidade da pessoa de fazer ou não algo, pensar ou não em algo.
Hoje, preciso discordar.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
TRAJETÓRIA
Voltas.
Lugar nenhum.
Eu sentia um misto de alívio e angústia, medo e coragem. Eu ligava e nãoligava. Mas, quando ligava, eu realmente não estava nem aí.
Eu, que sempre fugi de envolvimentos maiores com outros seres humanos, qualquer um, estava precisando de um amigo. Mas como meu corajoso medo foi mais forte, eu entendi que o amigo de quem eu precisava era eu mesma.
Minha mente dava-me duas escolhas. Duas e só. Garota, é vida ou morte, o que é que vai ser? Eu estava muito confusa pra decidir, muito fraca pra desisitir, muito forte pra perder.
A todo o momento sentia o coração bater como uma marionete. Ziiig-tuum, ziiig-tuum. Era um puxão nas cordas e um batimento. Mas marionetes sao controladas e não presas. E este coração estava preso, dilacerado. Mas fora de controle.
Então eu procurava inconsciente algo com que me enforcar, para sumir.
Acabei encontrando meu própro laço. O laço que uniria relacionamentos dos quais sempre fugi. O laço que unia minha relação comigo mesma.
Segurei firme, e caí. E caí mais. Eu não me enforquei, eu não me escondi. Senti um baque ao chegar ao fundo. Viva. Sem lados, sem saída.
Eu, os laços, e as feridas abertas.
Só me restava subir.
E eu subi. Achei que veria a estrada e fugiria. Mas cheguei ao topo e, acima de tudo, eu parei de fugir. Parei quando tracei minha rota de fuga.
E eu, que sempre me camuflei ao redor de tudo, ou nem mesmo isso, simplesmente não estava e não era, decidi ser e estar, e diferenciar-me de tudo ao redor.
Eu, que sempre preferi retrair-me em algum lugar, resolvi sair.
Lugar nenhum.
Eu sentia um misto de alívio e angústia, medo e coragem. Eu ligava e nãoligava. Mas, quando ligava, eu realmente não estava nem aí.
Eu, que sempre fugi de envolvimentos maiores com outros seres humanos, qualquer um, estava precisando de um amigo. Mas como meu corajoso medo foi mais forte, eu entendi que o amigo de quem eu precisava era eu mesma.
Minha mente dava-me duas escolhas. Duas e só. Garota, é vida ou morte, o que é que vai ser? Eu estava muito confusa pra decidir, muito fraca pra desisitir, muito forte pra perder.
A todo o momento sentia o coração bater como uma marionete. Ziiig-tuum, ziiig-tuum. Era um puxão nas cordas e um batimento. Mas marionetes sao controladas e não presas. E este coração estava preso, dilacerado. Mas fora de controle.
Então eu procurava inconsciente algo com que me enforcar, para sumir.
Acabei encontrando meu própro laço. O laço que uniria relacionamentos dos quais sempre fugi. O laço que unia minha relação comigo mesma.
Segurei firme, e caí. E caí mais. Eu não me enforquei, eu não me escondi. Senti um baque ao chegar ao fundo. Viva. Sem lados, sem saída.
Eu, os laços, e as feridas abertas.
Só me restava subir.
E eu subi. Achei que veria a estrada e fugiria. Mas cheguei ao topo e, acima de tudo, eu parei de fugir. Parei quando tracei minha rota de fuga.
E eu, que sempre me camuflei ao redor de tudo, ou nem mesmo isso, simplesmente não estava e não era, decidi ser e estar, e diferenciar-me de tudo ao redor.
Eu, que sempre preferi retrair-me em algum lugar, resolvi sair.
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