Vivia numa prisão.
Sem paredes, sem portas, nem janelas, sem amarras, sem limites, sem cores, sem nada.
Só sabia-se tratar de uma prisão pois ela estava presa.
- Presa? Mas como poderia, sem as amarras e as portas e as janelas?
Pois eu lhes digo, lá estava ela, presa como nunca antes alguém esteve.
Naquele lugar de imensidão profunda, sem paredes, portanto, sem profundidade (ou com profundida infinita), ela encontrava-se parada. Parada onde poderia ser o centro, o canto, o andar superior, inferior, o telhado, o porão, qualquer pedaço da prisão.
Não se sabe.
- Mas como poderia?
Ela tentava mover-se.
Nada.
Deu um passo mentalmente, suas pernas não obedeceram.
Tentou mexer os braços.
Nada.
Os únicos membros que pareciam vivos eram seus olhos, que olhavam mudos, presos à uma face congelada. Seu cérebro, que fazia questão de obrigá-la a conscientizar-se de cada detalhe, cada sensação angustiante que a situação trazia. E por fim, seu coração, que batia fortemente, com um som alto, ensurdecedor, enlouquecedor.
Um coração que estava gelado como a neve.
Mais nada.
- E o que?
Desespero, agora.
Ela queria andar, não podia. Queria mover-se e não conseguiu.
Sentiu ímpetos de gritar, gritar não só com a boca, mas com todo o corpo. Gritar toda a angústia e a dúvida, mas só conseguiu mudos gritos de desespero com o olhar.
E seu olhar já não era visto por mais ninguém.
Aquele lugar, aquela prisão, era ao mesmo tempo ela mesma e aquilo que gostaria de tomá-la para si, de uma vez, sem que ela percebesse.
Era o mal, o terrível da menina.
Era aquilo que a forçava a prender-se em si mesma, e em nada mais. Que a queria solitária e para si, sempre e para sempre. Sem ningué, pra mais ninguém.
Era ela mesma, só que pior.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Paradoxo Demente.
Às vezes nós falamos, mudamente.
Ou ficamos mudos, enquanto tagarelamos.
É um paradoxo, acho.
Nós vivemos em paradoxo.
Vivemos em julgamentos.
Vivemos em fingimentos.
Vivemos fingindo que gostamos.
Vivemos fingindo que não ligamos.
Vivemos fingindo que não nos importamos.
Quando tudo o que fazemos é por nos importarmos demais, especialmente quando negamos tal importância cedida.
Paradoxo demente.
Doentio.
Nós vivemos na doença.
Nós fodemos uns aos outros e nós mesmos só pra provarmos que tal doença da personalidade não existe.
Nós beijamos e abraçamos aquilo ou aqueles de quem temos nojo só pra não cairmos na "demência" de dizermos a verdade.
Nós calamos a verdade, temos medo dos olhares que sentimos serem acusatórios, isso porque nem sabemos se isso este é um fato, apenas imaginamos, e calamos a pergunta que poria fim ao início de tal tortura mental.
Doença.
Câncer do medo, da angústia, da falsidade, da hipocrisia.
Demência.
E acabamos doentes dos nossos corpos.
Corpos doentes de mentes silenciosas.
Corpos doentes de mentes que gritam mentiras, por medo.
Corpo que disserta parábolas em forma de manchas e doenças por culpa de uma mente que silencia.
O corpo que fala sobre a mente que cala.
Nós somos doentes mentais.
Nós somos físicos doentes.
Nós somos cem por cento esquálidos e definhamos em nós mesmos, cobrindo tudo com uma máscara natural.
Somos todos dementes.
Ou ficamos mudos, enquanto tagarelamos.
É um paradoxo, acho.
Nós vivemos em paradoxo.
Vivemos em julgamentos.
Vivemos em fingimentos.
Vivemos fingindo que gostamos.
Vivemos fingindo que não ligamos.
Vivemos fingindo que não nos importamos.
Quando tudo o que fazemos é por nos importarmos demais, especialmente quando negamos tal importância cedida.
Paradoxo demente.
Doentio.
Nós vivemos na doença.
Nós fodemos uns aos outros e nós mesmos só pra provarmos que tal doença da personalidade não existe.
Nós beijamos e abraçamos aquilo ou aqueles de quem temos nojo só pra não cairmos na "demência" de dizermos a verdade.
Nós calamos a verdade, temos medo dos olhares que sentimos serem acusatórios, isso porque nem sabemos se isso este é um fato, apenas imaginamos, e calamos a pergunta que poria fim ao início de tal tortura mental.
Doença.
Câncer do medo, da angústia, da falsidade, da hipocrisia.
Demência.
E acabamos doentes dos nossos corpos.
Corpos doentes de mentes silenciosas.
Corpos doentes de mentes que gritam mentiras, por medo.
Corpo que disserta parábolas em forma de manchas e doenças por culpa de uma mente que silencia.
O corpo que fala sobre a mente que cala.
Nós somos doentes mentais.
Nós somos físicos doentes.
Nós somos cem por cento esquálidos e definhamos em nós mesmos, cobrindo tudo com uma máscara natural.
Somos todos dementes.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Equilíbrio insano.
Perguntaram como eu mantenho equilíbrio em certas ocasiões da vida, sem escorregar, um dia desses...
Minha resposta?
Bom, eu paquerei a insanidade em troca desse equilíbrio.
Acharam estranho... Mas, penso que qualquer um que se aproxime intimamente da insanidade, como eu fiz, que paquere-a, corteje-a, e ainda por cima saia com este equilíbrio ao qual referem-se, vai entender o que estou dizendo.
Não quero dizer com isso que eu sou de todo equilibrada, até porque, acho que isso é impossível de existir, o total equilíbrio. Pelo menos nunca conheci alguém que o possua. Até os maiores gênios são um pouco pirados. Aliás, lendo sobre as histórias de alguns por aí, da arte e da literatura, cheguei à conclusão de que o próprio fato de alcançar a genialidade é um tipo de loucura.
Equilibrada, eu? Não. Mas possuo o equilíbrio e o controle pra certas coisas, que antes não possuia. Antes da insanidade, eu digo.
Ela ensina mes-mo, gente!
A maior lição que eu aprendi ao ser taxada de maluca, anti-social, ou até mesmo ao ser questionada com perguntas como essa que me fizeram é a seguinte: Se estão me taxando de maluca agora, ou questionando como eu deixei de ser a maluca de antes, é um sinal de equilíbrio vívido!
É o seu caso, também?
Brindemos.
Minha resposta?
Bom, eu paquerei a insanidade em troca desse equilíbrio.
Acharam estranho... Mas, penso que qualquer um que se aproxime intimamente da insanidade, como eu fiz, que paquere-a, corteje-a, e ainda por cima saia com este equilíbrio ao qual referem-se, vai entender o que estou dizendo.
Não quero dizer com isso que eu sou de todo equilibrada, até porque, acho que isso é impossível de existir, o total equilíbrio. Pelo menos nunca conheci alguém que o possua. Até os maiores gênios são um pouco pirados. Aliás, lendo sobre as histórias de alguns por aí, da arte e da literatura, cheguei à conclusão de que o próprio fato de alcançar a genialidade é um tipo de loucura.
Equilibrada, eu? Não. Mas possuo o equilíbrio e o controle pra certas coisas, que antes não possuia. Antes da insanidade, eu digo.
Ela ensina mes-mo, gente!
A maior lição que eu aprendi ao ser taxada de maluca, anti-social, ou até mesmo ao ser questionada com perguntas como essa que me fizeram é a seguinte: Se estão me taxando de maluca agora, ou questionando como eu deixei de ser a maluca de antes, é um sinal de equilíbrio vívido!
É o seu caso, também?
Brindemos.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Amor? Ah.. Os amores!
As pessoas sempre associam amor com afeto.
Amor não é só afeto. Afeto aqui significando ações afetivas. Abraços, beijos, declarações verbais, expressões de amor afetivo, enfim.
E isto é bem verdade. Porém, parece-me que está na moda hoje em dia pensar-se somente em amor afetivo, e esquecer-se do amor efetivo, que, oras... Não deixa de ser amor!
Alguns de nós, e me incluo nesta lista, não temos facilidade em sermos afetivos com as pessoas à quem amamos, e isso pode, e com frequência o é, ser visto como uma atitude de indiferença nossa para com essas pessoas, quando, na verdade, isso não quer dizer de forma alguma que não amamos e nos importamos com essas pessoas!
A gente pode amar, como eu dizia, EFETIVAMENTE.
Ao invés de dar um abraço, um beijo ou declararmo-nos publicamente, podemos fazer algo bom para nossos entes amados. E esse simples fazer algo bom, é amor!
Isto é, afinal de contas, efetuar o amor!
Amor efetivo pode ser um bombom misterioso deixado ao lado da pessoa, o gratuito ajudar, um sorriso timido e discreto, porém sincero, um presente que se entrega em casa, ainda que não venha acompanhado de um abraço caloroso, tudo isto, sendo feito com o coração, é muito amor!
Eu, particularmente, acho mais confortável, e diria até, possível, no meu caso, amar efetivamente do que afetivamente. Prefiro até mesmo ser amada desta forma, apesar de saber que isso está longe de ser uma decisão de minha alçada.
O único problema é que, neste mundo louco de hoje, as pessoas não reconhecem este tipo de amor. Algumas vezes mencionei-o em conversas à respeito de assuntos relativos, e precisei explicar o que a expressão significa.
As pessoas hoje, já não traduzem atos como amor.
As pessoas até mesmo confundem amor com coisas como sexo e capitalismo, às vezes até mesmo juntando-os um ao outro para que "se invente" o amor.
As pessoas desaprenderam a amar com os corações cegos de sentidos aguçados que nos foram dados.
Desaprendemos o sentido do do sentir.
O amor.
Amor não é só afeto. Afeto aqui significando ações afetivas. Abraços, beijos, declarações verbais, expressões de amor afetivo, enfim.
E isto é bem verdade. Porém, parece-me que está na moda hoje em dia pensar-se somente em amor afetivo, e esquecer-se do amor efetivo, que, oras... Não deixa de ser amor!
Alguns de nós, e me incluo nesta lista, não temos facilidade em sermos afetivos com as pessoas à quem amamos, e isso pode, e com frequência o é, ser visto como uma atitude de indiferença nossa para com essas pessoas, quando, na verdade, isso não quer dizer de forma alguma que não amamos e nos importamos com essas pessoas!
A gente pode amar, como eu dizia, EFETIVAMENTE.
Ao invés de dar um abraço, um beijo ou declararmo-nos publicamente, podemos fazer algo bom para nossos entes amados. E esse simples fazer algo bom, é amor!
Isto é, afinal de contas, efetuar o amor!
Amor efetivo pode ser um bombom misterioso deixado ao lado da pessoa, o gratuito ajudar, um sorriso timido e discreto, porém sincero, um presente que se entrega em casa, ainda que não venha acompanhado de um abraço caloroso, tudo isto, sendo feito com o coração, é muito amor!
Eu, particularmente, acho mais confortável, e diria até, possível, no meu caso, amar efetivamente do que afetivamente. Prefiro até mesmo ser amada desta forma, apesar de saber que isso está longe de ser uma decisão de minha alçada.
O único problema é que, neste mundo louco de hoje, as pessoas não reconhecem este tipo de amor. Algumas vezes mencionei-o em conversas à respeito de assuntos relativos, e precisei explicar o que a expressão significa.
As pessoas hoje, já não traduzem atos como amor.
As pessoas até mesmo confundem amor com coisas como sexo e capitalismo, às vezes até mesmo juntando-os um ao outro para que "se invente" o amor.
As pessoas desaprenderam a amar com os corações cegos de sentidos aguçados que nos foram dados.
Desaprendemos o sentido do do sentir.
O amor.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Medo.
A gente tem essa tendência estranha de não admitir que sentimos os sentimentos mais belos, que tivemos ou queremos ter, as atitudes mais belas, também. Alguém já reparou?
As pessoas constantemente dissertam umas com as outras sobre como há pessoas que são "arrogantes", "invejosos", sobre como algumas pessoas podem ser "egocêntricas", "vaidosas demais", e por aí segue uma lista infindável de outros adjetivos e/ou sentimentos, os quais são, logo após serem mencionados, taxados como coisas ruins e horríveis.
Por outro lado, há também os sentimentos e atitudes pelos quais todos parecem ter uma grande empatia. Sempre vemos as pessoas criando frases e pensamentos à respeitos deles. Do amor, da caridade, da compreensão, da bondade, da paciência, da humildade... A lista aqui também vai longe.
O fato é que isto acontece, e parece uma opinião e atitude bastante sensatas, não é?
É, seria.
Seria se não fosse o fato de as pessoas só falarem. Mas na hora da prática, no dialeto popular "na hora do 'vamos ver'", a coisa se apresenta de modo diferente.
As pessoas acham e dizem por aí que a humildade é essencial, andam umas ao lado das outras pregando idéias sobre a humildade e sobre como o OUTRO deve agir. E então, no segundo seguinte, este que falava começa a contar uma história sobre como estava na fila do mercado e alguém passou na frente dele como se não tivesse visto, e ele já foi imediatamente queixando-se, colocando-se na condição de superior, usando de ironia e sarcasmo para desmerecer a pessoa "infratora" que roubou o seu lugar na fila.
Eu me pergunto: o mais sensato, neste caso e em outros semelhantes que vocês podem imaginar, não seria que ele abordasse a pessoa de forma humilde, como prega, questionando primeiro se esta pessoa o tinha visto, para, então, explicar-lhe, com a ajuda da amiga paciência, que estava naquele lugar antes?
Não seria ESTA a atitude pela qual esta pessoa deveria orgulhar-se e contar por aí, e mostrar aos outros, já que é isto que ela prega?
Também não admitimos que amamos, às vezes. Preferimos fazer o outro pensar que não amamos, que somos indiferentes, por medo de encararmos o amor.
Aliás, aí está outro sentimento da lista dos "abomináveis" que adoramos ter em nosso dia-a-dia: medo. Ao invés de apostarmos na coragem tão bem quista por todos, nós pregamos a coragem e fabricamos o medo.
Fora esses exemplos, se cada um de nos ler o segundo parágrafo novamente, com calma, achará varios outros fatos, provavelmente fatos verídicos que estrelaram nossa própria vida, dos quais fomos os protagonistas.
A questão é: por que agimos de forma tão estúpida?
Não tenho as respostas, mas eu diria que o pai de tudo isso, é o ja citado medo.
Nós temos medo de agirmos corretamente e sermos julgados. Nós também temos medo de admitir que agimos errado, por isso pregamos o certo. Nós também tememos explicitar atos "dignos" que fazemos, por vergonha alheia, por isso, quando conseguimos de fato agir de modo coerente com o que gostamos de idealizar por aí, cometemos o cúmulo da contradição e mudamos a história para parecermos heróis do ego, da arrogância, da ganância, do orgulho...
O medo escorre do nosso cérebro pra fora, pela testa, passa pelos olhos e termina articulado na nossa boca, que por sua vez o envia para os ouvidos de alguém, proliferando assim esse tipo de atitude estúpida.
Viagem.
Uma bad-trip.
As pessoas constantemente dissertam umas com as outras sobre como há pessoas que são "arrogantes", "invejosos", sobre como algumas pessoas podem ser "egocêntricas", "vaidosas demais", e por aí segue uma lista infindável de outros adjetivos e/ou sentimentos, os quais são, logo após serem mencionados, taxados como coisas ruins e horríveis.
Por outro lado, há também os sentimentos e atitudes pelos quais todos parecem ter uma grande empatia. Sempre vemos as pessoas criando frases e pensamentos à respeitos deles. Do amor, da caridade, da compreensão, da bondade, da paciência, da humildade... A lista aqui também vai longe.
O fato é que isto acontece, e parece uma opinião e atitude bastante sensatas, não é?
É, seria.
Seria se não fosse o fato de as pessoas só falarem. Mas na hora da prática, no dialeto popular "na hora do 'vamos ver'", a coisa se apresenta de modo diferente.
As pessoas acham e dizem por aí que a humildade é essencial, andam umas ao lado das outras pregando idéias sobre a humildade e sobre como o OUTRO deve agir. E então, no segundo seguinte, este que falava começa a contar uma história sobre como estava na fila do mercado e alguém passou na frente dele como se não tivesse visto, e ele já foi imediatamente queixando-se, colocando-se na condição de superior, usando de ironia e sarcasmo para desmerecer a pessoa "infratora" que roubou o seu lugar na fila.
Eu me pergunto: o mais sensato, neste caso e em outros semelhantes que vocês podem imaginar, não seria que ele abordasse a pessoa de forma humilde, como prega, questionando primeiro se esta pessoa o tinha visto, para, então, explicar-lhe, com a ajuda da amiga paciência, que estava naquele lugar antes?
Não seria ESTA a atitude pela qual esta pessoa deveria orgulhar-se e contar por aí, e mostrar aos outros, já que é isto que ela prega?
Também não admitimos que amamos, às vezes. Preferimos fazer o outro pensar que não amamos, que somos indiferentes, por medo de encararmos o amor.
Aliás, aí está outro sentimento da lista dos "abomináveis" que adoramos ter em nosso dia-a-dia: medo. Ao invés de apostarmos na coragem tão bem quista por todos, nós pregamos a coragem e fabricamos o medo.
Fora esses exemplos, se cada um de nos ler o segundo parágrafo novamente, com calma, achará varios outros fatos, provavelmente fatos verídicos que estrelaram nossa própria vida, dos quais fomos os protagonistas.
A questão é: por que agimos de forma tão estúpida?
Não tenho as respostas, mas eu diria que o pai de tudo isso, é o ja citado medo.
Nós temos medo de agirmos corretamente e sermos julgados. Nós também temos medo de admitir que agimos errado, por isso pregamos o certo. Nós também tememos explicitar atos "dignos" que fazemos, por vergonha alheia, por isso, quando conseguimos de fato agir de modo coerente com o que gostamos de idealizar por aí, cometemos o cúmulo da contradição e mudamos a história para parecermos heróis do ego, da arrogância, da ganância, do orgulho...
O medo escorre do nosso cérebro pra fora, pela testa, passa pelos olhos e termina articulado na nossa boca, que por sua vez o envia para os ouvidos de alguém, proliferando assim esse tipo de atitude estúpida.
Viagem.
Uma bad-trip.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Morte. Quase. Quase morte.
Quase morro de tudo.
Sempre.
Devo ter uma espiritualidade muito elevada porque já tive essas experiências de quase morte várias vezes. Já quase morri de vergonha, de desejo, de raiva, de dor, de alegria... Quase morro toda hora.
Tô quase morrendo aqui.
Por isso eu sempre digo, melhor levar a vida mais à sério que a morte. Porque vida, vida mesmo, é algo raro de se achar. Normalmente a gente nem vive, só sobrevive. E mal sobrevive, porque o faz quase morrendo, aliás, mais morrendo do que sobrevivendo.
Aí é que a merda se faz.
No meu caso, já que é sobre isso que estou dissertando, provavelmente as pessoas vivem a minha vida muito mais do que eu a vivo. E as piores pessoas, aquelas que não deveriam se meter.
Mas acho que tudo bem, porque, pra variar, eu sobrevivo. Preciso, né? Inspirar e expirar...
E isso é tudo.
Sigo quase morrendo.
Sempre.
Devo ter uma espiritualidade muito elevada porque já tive essas experiências de quase morte várias vezes. Já quase morri de vergonha, de desejo, de raiva, de dor, de alegria... Quase morro toda hora.
Tô quase morrendo aqui.
Por isso eu sempre digo, melhor levar a vida mais à sério que a morte. Porque vida, vida mesmo, é algo raro de se achar. Normalmente a gente nem vive, só sobrevive. E mal sobrevive, porque o faz quase morrendo, aliás, mais morrendo do que sobrevivendo.
Aí é que a merda se faz.
No meu caso, já que é sobre isso que estou dissertando, provavelmente as pessoas vivem a minha vida muito mais do que eu a vivo. E as piores pessoas, aquelas que não deveriam se meter.
Mas acho que tudo bem, porque, pra variar, eu sobrevivo. Preciso, né? Inspirar e expirar...
E isso é tudo.
Sigo quase morrendo.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Melancolia, de quem és?
Acordei reflexiva hoje. Li. Pensei. Quase cri no que pensei. Quase. E cheguei à algumas [quase] conclusões. Que podem ser total balela.
Lembrei-me de diversas ocasiões em que disseram-me que eu sou alguém com muita criatividade, talento pra escrever ou criar algo.
Concordo em partes.
Não sei criar nada que parta de habilidades artesanais, por exemplo. Sou praticamente um bebê nesse departamento. Tampouco diria que sei escrever ou que sou criativa. Porém, é algo que na verdade me faz bem. Sempre me fez feliz. Escrever, criar notas. Nem que sejam notas mentais.
Sou do tipo que não consegue se expressar de forma curta. Sempre rola um parêntese no meio do raciocínio e ele PRECISA ser exteriorizado, se não eu surto.
Mas de qualquer forma, eu gosto sim.
Então, refletindo à esse respeito, lembrei-me de uma terapeuta com quem eu consultava-me há uns 3 anos atrás, e de algo que ela me disse. Ela falou que pessoas com tendências artísticas, criativas, tem um certo raio de conhecimento diferente das outras pessoas. Um conhecimento próprio bem crítico e quase que depressor quando é voltado para si mesmo.
Que eu me lembre era algo assim.
E por esse motivo, somos pessoas extrovertidas, animadas, e, no meu caso, hiperativas em tudo e com todos, mas com um porém: somos extremamente melancólicos quando sós. Ou mesmo na multidão, imersos nela, mas pensando em nós mesmos. E se não o somos sempre, temos uma tendência à melancolia muito maior do que outras pessoas, pela visão criativa, muito pensante, demais.
Parte do que digo aqui pode ter sido inventado por mim, não lembro exatamente o que ela disse, mas deve estar próximo disso.
O fato é que na época eu concordei, muito feliz, com aquela senhora. Afinal, fazia mesmo muito sentido e, vamos combinar, eu era a paciente.
Mas agora, timidamente amadurecida, penso que devo discordar, parcialmente.
É verdade que existe tal melancolia ou tendência à ela, quando passamos a imaginar coisas, transcrevendo-as ou não, sobre nós mesmos. Mas não acho que ela seja exclusivamente de pessoas com mentes criativas ou artistas. Primeiramente porque me enquadro completamente no quadro das pessoas tendenciosas, mas não acho e não convenço-me também, que possa ser criativa.
Auto-crítica. Esse sim, é o meu talento. Acho até que posso tornar-me extremamente criativa quando se trata de criticar à mim mesma.
A conclusão quase certa da qual falei no início, é a de que isso existe, mas para todos nós. Mesmo.
Tímidos, intro, intelectuais, ignorantes, felizes, tristes, recatados, piranhas, cafetões, doutores, príncipes e princesas.
Todos.
O ser humano é mesmo desse jeito. Se volta à melancolia, seja por crítica ou não. Aliás, nunca mesmo, por ela. Mas por necessidade.
Ela se faz necessária, ao meu ver, porque sem ela estaríamos, uhm... realizados? (Não são termos antônimos, mas no contexto se tornam algo parecido com isso). E o ser humano nunca vai estar realizado por inteiro.
Ele tem sede. Ele quer mais. Sempre. De modo que a melancolia é um empurrão, nossa garra.
Particularmente, acho que a diferença é que as pessoas muito críticas e com baixa auto-estima, tendem a melancolizarem MAIS as situações. Mas isso é só pra disfarçar a grande ambição e ganância que essas pessoas fingem não possuirem.
Até me incluo nisso, talvez.
Mas não acho que tenha ver com a capacidade da pessoa de fazer ou não algo, pensar ou não em algo.
Hoje, preciso discordar.
Lembrei-me de diversas ocasiões em que disseram-me que eu sou alguém com muita criatividade, talento pra escrever ou criar algo.
Concordo em partes.
Não sei criar nada que parta de habilidades artesanais, por exemplo. Sou praticamente um bebê nesse departamento. Tampouco diria que sei escrever ou que sou criativa. Porém, é algo que na verdade me faz bem. Sempre me fez feliz. Escrever, criar notas. Nem que sejam notas mentais.
Sou do tipo que não consegue se expressar de forma curta. Sempre rola um parêntese no meio do raciocínio e ele PRECISA ser exteriorizado, se não eu surto.
Mas de qualquer forma, eu gosto sim.
Então, refletindo à esse respeito, lembrei-me de uma terapeuta com quem eu consultava-me há uns 3 anos atrás, e de algo que ela me disse. Ela falou que pessoas com tendências artísticas, criativas, tem um certo raio de conhecimento diferente das outras pessoas. Um conhecimento próprio bem crítico e quase que depressor quando é voltado para si mesmo.
Que eu me lembre era algo assim.
E por esse motivo, somos pessoas extrovertidas, animadas, e, no meu caso, hiperativas em tudo e com todos, mas com um porém: somos extremamente melancólicos quando sós. Ou mesmo na multidão, imersos nela, mas pensando em nós mesmos. E se não o somos sempre, temos uma tendência à melancolia muito maior do que outras pessoas, pela visão criativa, muito pensante, demais.
Parte do que digo aqui pode ter sido inventado por mim, não lembro exatamente o que ela disse, mas deve estar próximo disso.
O fato é que na época eu concordei, muito feliz, com aquela senhora. Afinal, fazia mesmo muito sentido e, vamos combinar, eu era a paciente.
Mas agora, timidamente amadurecida, penso que devo discordar, parcialmente.
É verdade que existe tal melancolia ou tendência à ela, quando passamos a imaginar coisas, transcrevendo-as ou não, sobre nós mesmos. Mas não acho que ela seja exclusivamente de pessoas com mentes criativas ou artistas. Primeiramente porque me enquadro completamente no quadro das pessoas tendenciosas, mas não acho e não convenço-me também, que possa ser criativa.
Auto-crítica. Esse sim, é o meu talento. Acho até que posso tornar-me extremamente criativa quando se trata de criticar à mim mesma.
A conclusão quase certa da qual falei no início, é a de que isso existe, mas para todos nós. Mesmo.
Tímidos, intro, intelectuais, ignorantes, felizes, tristes, recatados, piranhas, cafetões, doutores, príncipes e princesas.
Todos.
O ser humano é mesmo desse jeito. Se volta à melancolia, seja por crítica ou não. Aliás, nunca mesmo, por ela. Mas por necessidade.
Ela se faz necessária, ao meu ver, porque sem ela estaríamos, uhm... realizados? (Não são termos antônimos, mas no contexto se tornam algo parecido com isso). E o ser humano nunca vai estar realizado por inteiro.
Ele tem sede. Ele quer mais. Sempre. De modo que a melancolia é um empurrão, nossa garra.
Particularmente, acho que a diferença é que as pessoas muito críticas e com baixa auto-estima, tendem a melancolizarem MAIS as situações. Mas isso é só pra disfarçar a grande ambição e ganância que essas pessoas fingem não possuirem.
Até me incluo nisso, talvez.
Mas não acho que tenha ver com a capacidade da pessoa de fazer ou não algo, pensar ou não em algo.
Hoje, preciso discordar.
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