sábado, 25 de dezembro de 2010

Melancolia, de quem és?

Acordei reflexiva hoje. Li. Pensei. Quase cri no que pensei. Quase. E cheguei à algumas [quase] conclusões. Que podem ser total balela.

Lembrei-me de diversas ocasiões em que disseram-me que eu sou alguém com muita criatividade, talento pra escrever ou criar algo.
Concordo em partes.
Não sei criar nada que parta de habilidades artesanais, por exemplo. Sou praticamente um bebê nesse departamento. Tampouco diria que sei escrever ou que sou criativa. Porém, é algo que na verdade me faz bem. Sempre me fez feliz. Escrever, criar notas. Nem que sejam notas mentais.
Sou do tipo que não consegue se expressar de forma curta. Sempre rola um parêntese no meio do raciocínio e ele PRECISA ser exteriorizado, se não eu surto.
Mas de qualquer forma, eu gosto sim.

Então, refletindo à esse respeito, lembrei-me de uma terapeuta com quem eu consultava-me há uns 3 anos atrás, e de algo que ela me disse. Ela falou que pessoas com tendências artísticas, criativas, tem um certo raio de conhecimento diferente das outras pessoas. Um conhecimento próprio bem crítico e quase que depressor quando é voltado para si mesmo.
Que eu me lembre era algo assim.
E por esse motivo, somos pessoas extrovertidas, animadas, e, no meu caso, hiperativas em tudo e com todos, mas com um porém: somos extremamente melancólicos quando sós. Ou mesmo na multidão, imersos nela, mas pensando em nós mesmos. E se não o somos sempre, temos uma tendência à melancolia muito maior do que outras pessoas, pela visão criativa, muito pensante, demais.

Parte do que digo aqui pode ter sido inventado por mim, não lembro exatamente o que ela disse, mas deve estar próximo disso.
O fato é que na época eu concordei, muito feliz, com aquela senhora. Afinal, fazia mesmo muito sentido e, vamos combinar, eu era a paciente.
Mas agora, timidamente amadurecida, penso que devo discordar, parcialmente.
É verdade que existe tal melancolia ou tendência à ela, quando passamos a imaginar coisas, transcrevendo-as ou não, sobre nós mesmos. Mas não acho que ela seja exclusivamente de pessoas com mentes criativas ou artistas. Primeiramente porque me enquadro completamente no quadro das pessoas tendenciosas, mas não acho e não convenço-me também, que possa ser criativa.

Auto-crítica. Esse sim, é o meu talento. Acho até que posso tornar-me extremamente criativa quando se trata de criticar à mim mesma.

A conclusão quase certa da qual falei no início, é a de que isso existe, mas para todos nós. Mesmo.
Tímidos, intro, intelectuais, ignorantes, felizes, tristes, recatados, piranhas, cafetões, doutores, príncipes e princesas.
Todos.

O ser humano é mesmo desse jeito. Se volta à melancolia, seja por crítica ou não. Aliás, nunca mesmo, por ela. Mas por necessidade.
Ela se faz necessária, ao meu ver, porque sem ela estaríamos, uhm... realizados? (Não são termos antônimos, mas no contexto se tornam algo parecido com isso). E o ser humano nunca vai estar realizado por inteiro.
Ele tem sede. Ele quer mais. Sempre. De modo que a melancolia é um empurrão, nossa garra.

Particularmente, acho que a diferença é que as pessoas muito críticas e com baixa auto-estima, tendem a melancolizarem MAIS as situações. Mas isso é só pra disfarçar a grande ambição e ganância que essas pessoas fingem não possuirem.
Até me incluo nisso, talvez.

Mas não acho que tenha ver com a capacidade da pessoa de fazer ou não algo, pensar ou não em algo.

Hoje, preciso discordar.

2 comentários:

  1. #hum

    É tanto face de pensamento ligada nesse texto que eu fiquei sem saber o que comentar.

    Pobre o ser humano..

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  2. São os meus inevitáveis "parênteses" explicitads.

    Um sobre o outro e outro.
    É uma bagunça. Mas até que eu organizei bem, nas palavras.

    Você devia ver isso tudo na minha mente, o estado em que vivem.

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