Vivia numa prisão.
Sem paredes, sem portas, nem janelas, sem amarras, sem limites, sem cores, sem nada.
Só sabia-se tratar de uma prisão pois ela estava presa.
- Presa? Mas como poderia, sem as amarras e as portas e as janelas?
Pois eu lhes digo, lá estava ela, presa como nunca antes alguém esteve.
Naquele lugar de imensidão profunda, sem paredes, portanto, sem profundidade (ou com profundida infinita), ela encontrava-se parada. Parada onde poderia ser o centro, o canto, o andar superior, inferior, o telhado, o porão, qualquer pedaço da prisão.
Não se sabe.
- Mas como poderia?
Ela tentava mover-se.
Nada.
Deu um passo mentalmente, suas pernas não obedeceram.
Tentou mexer os braços.
Nada.
Os únicos membros que pareciam vivos eram seus olhos, que olhavam mudos, presos à uma face congelada. Seu cérebro, que fazia questão de obrigá-la a conscientizar-se de cada detalhe, cada sensação angustiante que a situação trazia. E por fim, seu coração, que batia fortemente, com um som alto, ensurdecedor, enlouquecedor.
Um coração que estava gelado como a neve.
Mais nada.
- E o que?
Desespero, agora.
Ela queria andar, não podia. Queria mover-se e não conseguiu.
Sentiu ímpetos de gritar, gritar não só com a boca, mas com todo o corpo. Gritar toda a angústia e a dúvida, mas só conseguiu mudos gritos de desespero com o olhar.
E seu olhar já não era visto por mais ninguém.
Aquele lugar, aquela prisão, era ao mesmo tempo ela mesma e aquilo que gostaria de tomá-la para si, de uma vez, sem que ela percebesse.
Era o mal, o terrível da menina.
Era aquilo que a forçava a prender-se em si mesma, e em nada mais. Que a queria solitária e para si, sempre e para sempre. Sem ningué, pra mais ninguém.
Era ela mesma, só que pior.
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Paradoxo Demente.
Às vezes nós falamos, mudamente.
Ou ficamos mudos, enquanto tagarelamos.
É um paradoxo, acho.
Nós vivemos em paradoxo.
Vivemos em julgamentos.
Vivemos em fingimentos.
Vivemos fingindo que gostamos.
Vivemos fingindo que não ligamos.
Vivemos fingindo que não nos importamos.
Quando tudo o que fazemos é por nos importarmos demais, especialmente quando negamos tal importância cedida.
Paradoxo demente.
Doentio.
Nós vivemos na doença.
Nós fodemos uns aos outros e nós mesmos só pra provarmos que tal doença da personalidade não existe.
Nós beijamos e abraçamos aquilo ou aqueles de quem temos nojo só pra não cairmos na "demência" de dizermos a verdade.
Nós calamos a verdade, temos medo dos olhares que sentimos serem acusatórios, isso porque nem sabemos se isso este é um fato, apenas imaginamos, e calamos a pergunta que poria fim ao início de tal tortura mental.
Doença.
Câncer do medo, da angústia, da falsidade, da hipocrisia.
Demência.
E acabamos doentes dos nossos corpos.
Corpos doentes de mentes silenciosas.
Corpos doentes de mentes que gritam mentiras, por medo.
Corpo que disserta parábolas em forma de manchas e doenças por culpa de uma mente que silencia.
O corpo que fala sobre a mente que cala.
Nós somos doentes mentais.
Nós somos físicos doentes.
Nós somos cem por cento esquálidos e definhamos em nós mesmos, cobrindo tudo com uma máscara natural.
Somos todos dementes.
Ou ficamos mudos, enquanto tagarelamos.
É um paradoxo, acho.
Nós vivemos em paradoxo.
Vivemos em julgamentos.
Vivemos em fingimentos.
Vivemos fingindo que gostamos.
Vivemos fingindo que não ligamos.
Vivemos fingindo que não nos importamos.
Quando tudo o que fazemos é por nos importarmos demais, especialmente quando negamos tal importância cedida.
Paradoxo demente.
Doentio.
Nós vivemos na doença.
Nós fodemos uns aos outros e nós mesmos só pra provarmos que tal doença da personalidade não existe.
Nós beijamos e abraçamos aquilo ou aqueles de quem temos nojo só pra não cairmos na "demência" de dizermos a verdade.
Nós calamos a verdade, temos medo dos olhares que sentimos serem acusatórios, isso porque nem sabemos se isso este é um fato, apenas imaginamos, e calamos a pergunta que poria fim ao início de tal tortura mental.
Doença.
Câncer do medo, da angústia, da falsidade, da hipocrisia.
Demência.
E acabamos doentes dos nossos corpos.
Corpos doentes de mentes silenciosas.
Corpos doentes de mentes que gritam mentiras, por medo.
Corpo que disserta parábolas em forma de manchas e doenças por culpa de uma mente que silencia.
O corpo que fala sobre a mente que cala.
Nós somos doentes mentais.
Nós somos físicos doentes.
Nós somos cem por cento esquálidos e definhamos em nós mesmos, cobrindo tudo com uma máscara natural.
Somos todos dementes.
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